Rolim in the deep

"Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo"

Mesmo texto, enfoque diferente

Quarta, trinta de novembro;

A faculdade estava quase vazia, eram quase 17h:00, minha namorada ainda estava na sala de aula. Prova final de pesquisa, momentos de tensão.  Conversa vai, conversa vem, no dirigimos a estação de trem. Era hora de ir embora, por nossa sorte nossa linha seguia o contra-fluxo.  A hora do “rush” em São Paulo é para os fortes.

Durante a volta do trem, recebo uma ligação de um número desconhecido:

-Alô?

-Alô, Lucas?!

- Sim, quem fala?

-Aqui é a Viviane do RH da XXXX (não quero citar o nome da empresa porque não faço a mínima idéia se isso iria influenciar minha permanência na mesma), eu estou ligando para dar o retorno sobre a dinâmica que você realizou há duas semanas, você pode falar agora?

-Sim, claro! 

- então, eu gostaria de comunicar que você foi muito bem na entrevista final e que nós estamos dispostos a te contratar! Você estaria disposto a trabalhar aqui?

- é claro que eu estou! É obvio.

-bom, então gostaria de falar sobre os benefícios…

Enfim, o final da história eu já contei, porém o caso aqui é outro. Minha principal motivação para começar a escrever foi relatada em meu primeiro texto, já publicado aqui mesmo, sobre o que leva as pessoas as rezarem.

Muitas dúvidas surgiram em minha mente. Discuti o tema com alguns amigos. Confesso que mostrei o texto antes de divulgá-lo, para ter uma opinião se valia a pena ou não escrever em um lugar público.

Enfim, depois dessa brevíssima reapresentação do primeiro texto, percebi que as dúvidas que estavam em minha mente se ampliaram, agora já não sei se estava certo, ou se estava totalmente errado.

Meu dilema agora é outro. Será que devo voltar a rezar e agradecer a benção por ter conseguido meu primeiro emprego, ou será que reafirmo minha posição de me manter cético perante a idéia de que isso poderia me trazer algum retorno espiritual saudável?

É complicado divagar a respeito de temas como esse. Muitas vezes, as pessoas pensam que você pode se sentir superior por não ter fé em algo, ou por não ter algum tipo de crença. Gostaria de deixar claro que não é de meu interesse transmitir qualquer tipo de pensamento que possa parecer que tenho a cabeça alinhada a isso. Não, novamente, busco apenas tentar achar algumas respostas para certas perguntas que me parecem um tanto infundadas, mas que realmente despertam minha curiosidade.

Bom, no fim das contas ainda não tenho opinião formada a respeito, e a dúvida sobre rezar ou não continua a me perseguir toda a noite. Porém, a sensação que tenho é que o melhor que devo fazer é seguir deixando que minha mente se decida sozinha, noite a noite, sem generalizações, apenas uma escolha de cada vez.

Por que eu deveria criar um blog, tumblr e afins  ?

Segunda, vinte e oito de novembro,

Era quase 1:00h da madrugada, dei boa noite a minha namorada. Ela foi dormir na cama de cima, eu na de baixo. Nada de brigas, mas eu me mexo demais na cama. Estávamos dando boa noite, como sempre. Nada demais. Ela ia me dar a mão, depois de um segundo desistiu e disse:

- Espera! Eu vou rezar.

Comecei então a pensar sozinho que fazia muito tempo que eu não rezava. Não que eu seja uma pessoa ligada a Igreja ou a religião. Tenho minha fé e meu próprio jeito de realizar minha manutenção espiritual. Enfim, cheguei à conclusão de que tinha deixado de lado a tradicional reza antes de dormir porque não estava me sentindo (e ainda não estou)  confortável com tal situação.

A reza começou a me parecer algo forçado, algum tipo de obrigação que eu deveria cumprir apenas pelo fato de que agradecer por tudo que a vida me proporcionou é algo socialmente desejável.  Não, não sou rico, não tenho carro, nem mesmo emprego, mas mesmo assim tenho uma vida boa. Ou seja, não há motivos para reclamar, como também não há motivos para eu achar que sou abastado. Enfim, voltando ao assunto…

Eis que se deu início a minha divagação. Será que as pessoas rezam por devoção, por achar que isso mostra que elas possuem mais fé do que as outras pessoas, por pensar que isso as levará a “salvação” no final de suas vidas, ou será que as pessoas realmente se sentem  melhores rezando, se de fato traz uma paz interior, tão desejada pelas pessoas.

Perguntei a minha namorada porque ela rezava e ela me disse:

-Ah mô, eu rezo porque eu acredito, não tem nada a ver com devoção, ou por algum tipo de obrigação, sei lá…

Tentei explicar para ela o que estava passando em minha cabeça, mas já era muito tarde e ela estava quase dormindo. Foi aí que tive a brilhante idéia de criar um blog. Ou algo em que eu possa expressar minhas idéias, sejam elas em formato de texto, como agora, ou por imagens, vídeos, ou qualquer outro tipo de forma que seja possível se expressar via internet. Mas o principal que eu busco através desse blog, é ouvir opiniões diferentes, saber o que as pessoas acham sobre as minhas idéias, se eu sou apenas um cara comum, meio bobo com idéias idiotas que todo mundo tem antes de dormir, ou se existe algum tipo de fundamento em toda essa divagação um tanto infundada.

Enfim, qualquer que seja das duas opções, acho interessante saber. Afinal, se for a primeira, fará todo sentido o que eu escrevo, porque provará o quão idiota eu estou sendo escrevendo todos esses parágrafos ( deu apenas uma página, mas caramba… parece que escrevi um livro de 400 páginas!). Se for a segunda, também fará todo o sentido, porque provará que eu não sou o único a ter esse tipo de conversa, com a “própria consciência”, mesmo antes de dormir, sobre os mais variados assuntos, sobre as mais varias idéias.